29 de novembro de 2013

10 dos melhores diretores de terror da atualidade


Como confessei na crítica de um dos melhores filmes de 2013, Invocação do Mal, o gênero terror sempre foi o meu favorito. Simplesmente por suas sensações. Afora fatores marcantes ocorridos na infância que também citei anteriormente em outros textos, esse cinema fantástico possui sua própria gama de revoluções e, apesar das fórmulas, diversos diretores que se inspiram em outros colegas conseguem construir homenagens gigantescas e atemporais. Num tempo em que muitos parecem aceitar que o gênero está morto e que há poucas mentes pensantes em Hollywood ou qualquer outro lugar, eu refleti acerca de alguns dos maiores nomes do gênero na atualidade e que muitos podem nem conhecê-los. A princípio, a meta era chegar a um top cinco, mas a admiração e fascínio por vários destes acabaram aumentando a lista – ainda que não tenham cabido todos os nomes desejados. Portanto, ainda que você não encontre o nome de sua preferência por aqui, não quer dizer que não entraria num top 15 ou 20. Antes de tudo, algumas considerações:
  1. Os escolhidos são totalmente de preferência pessoal e podem ser descartados se vocês não apreciam o meu gosto. Caso você nunca concorde com as minhas cotações ou análises sobre filmes de terror (ou qualquer outro), por exemplo, acredito que a lista não será de grande ajuda;
  2. A minha maior intenção, na verdade, é fornecer alguns nomes para serem mais propagados e debatidos. Restringi-me, deste modo, a nomes mais novos e alguns deles – inclusive – possuem apenas dois ou três filmes: algo que pode ser um tiro futuro no pé;
  3. Espero que aproveitem as indicações e que compartilhem também as suas considerações.

Chega de papo e vamos lá. 

10. James Watkins



Vamos desconsiderar as barbaridades que são seus roteiros de A Face Oculta do Mal e o safado Abismo do Medo 2, mas vamos considerar que ambos possuíam outras pessoas auxiliando o processo – o que nunca é um bom sinal. A realidade é que Watkins estreou com algum controle cinematográfico em 2008 com seu filme Eden Lake (o qual saiu traduzido como Sem Saída). Nele, observamos um jovem casal de férias tentando escapar da realidade urbana e passando um final de semana, isolados, em uma casa à beira de um lago. O problema começa a aparecer no instante em que um grupo de adolescentes rebeldes passa a persegui-los em uma grande tortura psicológica e física. O mais impressionante da trama idealizada por Watkins, neste caso, não é transformar algo batido em um longa-metragem cheio de adrenalina (algo que também contém), mas dar uma profundidade humana gritante – culminando em um clímax singular e assustador. Não é o susto ou o gore que o diretor procura, mas esclarecer que a própria maneira como tratamos uns aos outros interferem na criação de monstros antissociais. Já em A Mulher de Preto, Watkins adota uma postura mais clássica do terror, com direito a pouca iluminação nos lugares que Arthur frequenta (trens, casas, escritórios), sótãos, porões, escadas que ficam rangendo, cemitérios e mansões mal-assombradas. Um filme muito mais saudosista do que dono de uma frieza social, o que também aponta para sua adequação.

O melhor: Eden Lake (Sem Saída)
Por onde começar: Eden Lake (Sem Saída);

9. Simon Rumley



Ainda que busque, às vezes, o total absurdo, como nos segmentos “P is for Pressure” (ABC da Morte) e “Bitch” (Little Deaths), o grande fator positivo de Simon Rumley é a maneira como expõe o caos em que se encontram seus personagens e a constante autodestruição presente em suas respectivas vidas – assim, não é difícil imaginar as medidas extremas de seus atos conforme passa a narrativa. Em Red, White & Blue, por exemplo, as atitudes do diretor ressaltam um estilo próprio (desde o sexo como precursor dos problemas até a música sobrepondo-se aos diálogos). Da mesma forma, a sua assinatura influencia no resultado final do regular Distúrbio Fatal, onde a dor e a intensidade infringidas na vida daquelas pessoas expressa o verdadeiro horror almejado por ele.

Por onde começar: Distúrbio Fatal;

8. Nacho Vigalondo



Muito mais conhecido por seus excelentes curtas-metragens, Nacho veio a se destacar no brilhante Crimes Temporais, onde o protagonista, após uma série de paradoxos temporais, encontra a si mesmo diversas vezes – algo que culmina no desenvolvimento e clímax angustiantes do longa-metragem. Por outro lado, o espanhol já havia denunciado o seu talento em três curtas: o primeiro deles, sua própria estreia indicada ao Oscar, 7:35 de la mañana oferecia um mundo em que a ruína era o silêncio e a falta de comunicação social, a qual requere uma atitude drástica: um homem-bomba, sob esta ótica, entra em um restaurante e ameaça os clientes, a fim de fazê-los dançar e cantar juntos com ele; no segundo, Marisa, o diretor expõe as múltiplas personalidades da personagem-título; e, finalmente, A de Apocalipse surpreende pela visão incomum do fim. Um cineasta que conta com apenas dois longas-metragens na bagagem, mas que já apresenta uma maturidade a ser avaliada futuramente.

O melhor: Crimes Temporais
Por onde começar: 7:35 de la mañana;

7. Bruno Forzani e Hélène Cattet



Movendo-se muito mais por ostentações de sentidos e prazeres estéticos do que propriamente da substância da história, embora esteja lá, Forzani e Cattet é a primeira dupla a fazer parte da lista por um preceito bem simples: talento. Está na exploração de suas cores, sua fotografia e cenários, os seus maiores artifícios. No caso de Amer, todo esse cuidado na forma como a narrativa é construída nasce tão impactante e detalhista que arrisco dizer que o próprio Argento – a principal inspiração – deve ter ficado orgulhoso. Ambos não almejam o susto fácil, mas a subjetividade semiótica que as cores possuem. Qual é o significado de cada plano e a combinação entre eles. As perguntas acabam sendo outras. Os seus curtas se movem sob este mesmo raciocínio. Não dá para dizer que é um estilo que sempre dará certo, mas é no mínimo uma assinatura intrigante e rara.

O melhor: Amer
Por onde começar: Chambre jaune;

6. Juliana Rojas e Marco Dutra



Na realidade, apesar do cinema brasileiro de horror estar começando a caminhar com suas próprias pernas, ninguém está fazendo filmes de gênero como esses dois. Iguais aos outros casos, ambos são diretores que têm mais fama internacional pelos seus curtas (ganhando em Cannes, por exemplo) do que por seu primeiro longa-metragem, Trabalhar Cansa. São diretores que procuram os sons mais simples para criar ambientes de pura tensão: no filme de 2011, a família está reunida e um esguicho produzido por um familiar a luz de velas consegue criar um assombro muito maior que algum susto mais fácil. Os filmes passam a ser mais metafóricos. Os dramas familiares presentes em seus roteiros são tão importantes quanto as ações sobrenaturais. Nenhum dos dois parece ter mais talento que o outro, pois se complementam. E até os seus curtas solos deixam essa impressão

O melhor: Trabalhar Cansa
Por onde começar: Um Ramo;

5. Jaume Balagueró



Prevejo muitas reclamações da ausência do Paco Plaza dividindo essa quinta colocação com o espanhol, mas o motivo é simples: acredito ser Balagueró o verdadeiro talento da dupla. Ainda que os dois estejam envolvidos na obra-prima [Rec], Plaza somente criou uma obra que se destacasse em seu trabalho solo: Um Conto de Natal. Até porque Genesis tem uma ou outra ideia interessante, mas falha no todo; e Romasanta é um grande erro. Enquanto isso, Balagueró entregou curtas muito mais profundos e, indo além, ofereceu o melhor filme da série Películas para Dormir (Na Teia do Mal). Como se não fosse o bastante, A Seita é eficiente e Mientras duermes esbanja a tensão e a agonia de filmes como [Rec] – não deixando, acho eu, espaço para dúvidas.

O melhor: [Rec]
Por onde começar: A Seita;

4. Christopher Smith



Nem em um milhão de anos, eu apostaria que o mesmo sujeito que havia entregado um thriller de horror tão trapaceiro quanto Plataforma do Medo seria o mesmo que produziria filmes como os tragicômicos Mutilados e Morte Negra, além do genial Triângulo do Medo. E se, apesar de escancarar a violência, as sequelas da peste e criar situações cômicas com a tragédia, o roteiro não acompanha completamente o talento de Smith em Morte Negra, o mesmo não se pode dizer quando ele tem controle narrativo total. Em Mutilados, por exemplo, subverte as expectativas pela sua sutil ironia e debocha brilhantemente do gênero – algo que chega ao auge numa hilária cena em que um urso caminha por trás dos personagens. Sem poder deixar de citar o seu melhor trabalho, Triangle. Nele, somos surpreendidos pela complexidade maternal da protagonista, que está muito longe de ser uma heroína comum e completa. O diretor é competente, igualmente, na parte técnica (equilibrando planos mais fechados e abertos para demonstrar claustrofobia e isolamento) e na profundidade psicológica que a narrativa ganha no segundo ato. Chega a impressionar.

Por onde começar: Mutilados;

3. Ben Wheatley



Como definir Wheatley como diretor de gênero? Não há como. Ele explora vários durante seus filmes e brinca com perspectivas. Pegue Turistas de exemplo, favor não confundir com o famoso de John Stockwell, e observe como não tem como taxar aquele roteiro de formulaico ou algo do tipo. Alice Lowe e Kenneth Hadley não representam um casal normal e o contexto que estão inseridos, tampouco. Apesar da classificação de comédia, é difícil enxergar a graça. O crime e a desilusão social são muito mais óbvios. Kill List, idem, começa com um drama até culminar numa paranoia crescente e intrigante. Apenas a abordagem do curta U is for Unearthed é mais clássica, apesar de muito divertida e excepcional. Ben Wheatley, no fim das contas, faz parte daquela seleta categoria: “sim, eu daria dinheiro para dirigir mais filmes”.

O melhor: Kill List
Por onde começar: U is for Unearthed;

2. Ti West



Particularmente, eu não consigo resistir a diretores que bebem da água de Mario Bava, Lucio Fulci e Dário Argento. E é exatamente isso que Ti West está acostumado a fazer em seus longas-metragens mais atuais. Afora o divertidíssimo Ataque dos Morcegos, é difícil esquecer que o meu segundo diretor favorito de terror dirigiu coisas como o incrivelmente estúpido Cabana do Inferno 2, mas isso é facilmente ofuscado pelas homenagens setentistas e oitentistas com que desenvolveu Hotel da Morte e A Casa do Demônio. Já existe essa marca mais clássica nos filmes do cineasta e é compreensível a forma como a ideia antiga pode ser usada a seu favor em nossos tempos atuais. O domínio de câmera que West possui, por exemplo, demonstra que a tensão não é instaurada somente por um aumento repentino de trilha sonora, mas pela perspicácia dos planos e enquadramentos que ilimitam a tensão. Note, no filme Hotel da Morte, a cena em que o diretor focaliza quase em primeira pessoa a protagonista e vamos acompanhando o seu olhar, apenas o que ela vê, ressaltando perfeitamente a angústia sofrida naquele instante. Para ele, um bom filme de terror é feito da extração de tensão do incômodo do silêncio. E é curioso perceber que se a inspiração provém dos grandes diretores das décadas passadas, todos eles devem ou iriam reconhecer que há um novo mestre do terror nas redondezas.

Por onde começar: Hotel da Morte;

1. James Wan



Caso tivesse dinheiro e talento, Invocação do Mal seria exatamente o filme de terror que eu faria. Ver um filme de terror do James Wan, para um amante do gênero, é como se reconhecer atrás das câmeras. Brincar de desvendar os caminhos que serão percorridos em determinado momento e aonde ele nos levará na tensão construída até ali. É ver um apaixonado. Essa é a melhor definição para o malaio. A forma como expõe a linguagem e as artimanhas confidenciam esse amor: para Wan, não é o que se cria, mas como trabalhar o que já foi criado, o segredo. Afinal, o que poderia ser considerado original em 2013?! Não há novidades em seus filmes, mas o ápice do formalismo e da estrutura clássica. Wan aprecia as atmosferas mais sangrentas e misteriosas, como seus Jogos Mortais, Gritos Mortais e Sentença de Morte evidenciam, mas é justamente em sua aura classicista que seu talento é mais categorizado. Apresenta o que o cinema era e o que as novas histórias de terror fizeram dele. E nenhum outro faz isso como ele nos tempos atuais.

Por onde começar: Jogos Mortais.


Nos tempos em que vivemos, declarar que o terror morreu há muito tempo é algo tão (in)cabido quanto afirmar que a comédia só existiu com Buster Keaton, os Marx e Charles Chaplin, esquecendo-se de nomes como Jacques Tati e tantos outros. Tudo está sujeito a se reestruturar, cabe a nós identificar e extrair o que vem de bom também. 

6 comentários:

lucas moreira disse...

FALTOU O GUILHERMO DEL TORO.

Alicia Jaramillo disse...

Eu amo a série de terror e suspense, são os meus favoritos porque há uma continuidade na história particular de cada personagem. Este é o gênero que eu prefiro e agora eu estou vendo Penny Dreadful,uma das Series HBO , que apenas duas temporadas já está provando popular, porque é um proposta de terror e suspense que se você viu, você ama

André Freitas de Sá disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
André Freitas de Sá disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
André Freitas de Sá disse...

Rob Zombie um dos melhores !!

donizildo senhor disse...

OUXE CADE O GUILHERMO DEL TORO.