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Idem, Brasil,
2014. Direção: Michel Tikhomiroff. Roteiro: Fabio Danesi. Elenco: Fernanda
Machado, Mateus Solano, Fernanda D’Umbra, Bruno Giordano, Geraldo Rodrigues,
Antonio Saboia. Duração: 85 min.
Há um sistema de teledramaturgia rigoroso que o diretor Michel
Tikhomiroff planeja seguir ao decorrer de Confia
em Mim. Alimentando-se de um roteiro que conta com personagens irritantes o
bastante para terem medo de recorrer à polícia quando são vitimas de um
estelionatário ou policiais debochados característicos deste apelo novelesco,
que apenas serve para estimular tramas maniqueístas, o cineasta sempre evita
tocar em abordagens mais profundas e se rende ao mesmo vazio existente nos
relacionamentos presentes no longa-metragem. Assim, criando quase uma fábula
familiar contada por pais ricos que querem ensinar os seus filhos mimados que
não se pode confiar em ninguém.
Deste modo, seria melhor começar essa crítica de outra forma, portanto:
era uma vez uma família oriunda de uma novela malsucedida das nove, onde
existiam duas irmãs completamente opostas – a primeira, uma próspera
empreendedora do ramo de relógios, amada e a favorita de sua mãe; a segunda,
cinderela, ops, Mari, que, por ser uma mulher independente e não querer seguir
o caminho que sua mãe quis para ela, tornou-se a menos afortunada daquela
família, construindo uma relação complicada com seus próprios familiares.
Assim, por possuir essa insegurança amorosa acerca de suas qualidades desde
cedo, Mari se apaixona perdidamente por um rapaz que encontra em uma exposição
de vinho certo dia. Claro que o primeiro encontro é marcado por invadir
restaurantes de hotéis e entrar ilegalmente em lugares de um teatro, mas tudo
em nome do amor.
Um amor, aliás, que parece ser arquitetado em questão de dias. Afinal, o
que importa a compreensão do espectador quanto a natureza daquele sentimento
nutrido pelos dois? Porque é claro que não precisamos entender por que uma
pessoa insegura e reclusa sentimentalmente como Mari iria entregar R$ 200 mil
nas mãos de alguém que conheceu há semanas. Menos importante ainda é a história
paralela entre Caio e sua outra vítima, que, veja só, acha que nada de ruim
acarretará em subtrair meio milhão de reais de uma instituição para ganhar um
dinheiro fácil.
E se Mateus Solano não parece ter esquecido os trejeitos de seu
personagem televisivo mais famoso ou consiga passar eficientemente a falsa
segurança de seu Caio, Fernanda Machado é ainda pior nas sequências que passa
com a família ou na cena que tenta avaliar o que de fato aconteceu com o seu
dinheiro.
Nenhum dos dois, por outro lado, têm culpa no tato do roteiro com uma
história que poderia render uma análise densa sobre o controle emocional que
estelionatários possuem em suas vítimas; deste modo é trágico a narrativa
terminar com uma mensagem de vingança com as próprias mãos – lembrando-nos
novamente da precariedade da estrutura ditada pelo diretor. Algo que até
poderia ser incluído num fim de capítulo de uma novela de Aguinaldo Silva, mas
que nunca poderia ser contido num longa-metragem.
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