24 de maio de 2011

Se Beber Não Case 2 (EUA, 2011)

"A segunda vez é inesquecível?"
“Aconteceu outra vez” é a frase que dá início ao primeiro ato da seqüência do excelente “Se Beber Não Case” – filme do igualmente excelente Todd Phillips realizado em 2009. A frase representa toda uma conjuntura narrativa que dá o passo para esse segundo longa-metragem com os personagens, as situações absurdas, a ressaca, as conseqüências e principalmente a mesma fórmula sendo mantida pelo simples “aconteceu mais uma vez”. Assim como o sucesso de Duro de Matar, em que víamos um policial aposentado em um ambiente de intrigas, terrorismo e em seu segundo longa o vemos na mesma situação limitando-se a falar “como isso pode estar acontecendo com o mesmo cara duas vezes”. Esse é o grande segredo de fórmulas, o espectador sabe que está ali para ver um filme caça-níquel, que teremos uma grande previsibilidade, mas ainda assim rimos e nos divertimos com o próprio fato do protagonista brincar com isso. Qual seria o segredo de Duro de Matar 2? Timing. O filme tinha ritmo. Não era de grande ousadia, mas mantinha o nível do primeiro. Esse é o maior ato falho da continuação de “Se beber não case”: a previsibilidade, mas, infelizmente, com uma grande falta de ritmo, surpresa e ousadia.



Escrito por Scot Armstrong, Craig Mazin e Todd Phillips, que substituem os roteiristas do primeiro filme Jon Lucas e Scott Moore, neste segundo filme Phil (Bradley Cooper), Stu (Ed Helms), Alan (Zach Galifianakis) e Doug (Justin Bartha) viajam para a exótica Tailândia para o casamento de Stu. Após a despedida de solteiro em Las Vegas, Stu opta por um seguro e sossegado café da manhã para a festa de pré-casamento. No entanto, as coisas nem sempre saem como planejado e ocasiona em mais uma noite completamente “esquecida” pelos personagens.


Contando com uma competente fotografia de Lawrence Sher (do brilhante “Hora de Voltar”) e que nos apresenta o novo cenário em que os personagens passarão o segundo filme, somos deparados com a mesma situação do primeiro filme já no primeiro plano: com a mesma ligação e o aspecto em que os personagens se encontram também. Phil surge com uma camiseta mais aberta mostrando o abusivo calor e de primeiro momento pensamos que voltamos ao deserto de nevada do primeiro filme, algo que é facilmente esquecido quando vemos a bela paisagem que Sher retrata ao mostrar os protagonistas chegando à Tailândia.


Igualmente interessante em transmitir as particularidades dos locais freqüentados no longa-metragem é a direção de arte de Desma Murphy e Philip Toolin quando, por exemplo, o quarto de hotel em que Phil acorda ao som de Johnny Cash está virado do avesso com uma cama de casal e um beliche; com os personagens dormindo no chão ou no banheiro e com um único ventilador ao redor dos personagens – mostrando o mundo em que os personagens se meteram e a devassidão daquele ambiente. Enquanto isso, o ambiente vivido pelas esposas e por Doug é sempre bem iluminado e com um branco que dá um aspecto límpido ao ambiente que se encontram (algo que a fotografia de Sher é competente em retratar).


Apesar de ser competente nos aspectos técnicos (vale ressaltar lugares que os personagens passam depois da ressaca e nos deparamos com ambientes depredados), a obra é bastante prejudicada pela falta de ritmo da montagem de Debra Neil-Fisher e do timing das piadas, geralmente os melhores momentos do filme contam com o talento de Galifianakis e o carisma dos conhecidos personagens. Algumas piadas surgem desnecessárias e exageradas. Um exemplo é quando Alan é apresentado a Teddy e a primeira referência de um médico novo e genial é Doggie Hower. A piada já nasce completamente morta e igualmente patética a tentativa de criar algum ciúme de Alan pelo novo integrante da turma. Os olhares de Alan para o jovem são lamentáveis.


Em contrapartida, a cena do jantar que começa exagerada e estereotipada (muito pela família da noiva de Stu) é rapidamente abafada pelo hilário discurso de Alan em que faz referencia ao primeiro filme, agora sim, com um timing excelente. Igualmente interessante é o fato de os personagens terem lembranças do acontecimento de Las Vegas e começarem a procurar a pessoa perdida em lugares incomuns, mas que apareciam no primeiro filme. Algo como “olhe para nós, aprendemos com nossos próprios erros”.


A direção de Todd Philips não oferece nenhum momento inspirador, mas é competente ao retratar as conseqüências das ações dos personagens e os ambientes em que acabam parando. Um belo plano de Philips é na cena do casamento em que o diretor faz um belo trabalho de campo/contracampo e mostra a lancha parada na terra ao lado do casamento de Stu. O diretor ainda não se limita e coloca cenas que poderiam ser consideradas mais vulgares e apelativas em tela, além de fotos nos créditos finais que também são funcionais e hilárias.


Ainda que siga uma fórmula de filme caça-níquel e pré-moldado, Se Beber Não Case 2 tem uma ou outra particularidade interessante que apesar de não ser inovadora ou surpreendente funciona como no primeiro filme. Ainda que falte ousadia para os realizadores e o tom surpreendente que o primeiro filme tinha, a continuação não deixa de ser uma boa comédia no meio de tantas atrocidades lançadas neste ano e quando um ou outro personagem pergunta “dá para acreditar que isso está acontecendo mais uma vez?”, esta é a chave para gostar ou não de um filme previsível e que segue uma fórmula de sucesso deixada pelo antecessor – a pergunta é: você consegue acreditar?

(3 estrelas em 5)

Um comentário:

Raphael Camacho @vassilizai disse...

Saí da reunião pensando que o Andrey tava vendo o filme que eu queria ver!!!