4 de julho de 2013

Meu Malvado Favorito 2

Despicable Me 2, EUA, 2013. Direção: Pierre Coffin e Chris Renaud. Roteiro: Ken Daurio e Cinco Paul. Vozes: Steve Carell, Kristen Wiig, Benjamin Bratt, Miranda Cosgrove, Russell Brand, Ken Jeong, Steve Coogan, Elsie Kate Fischer, Dana Gaier, Nasim Pedrad, Moises Arias, Pierre Coffin. Duração: 98 min.

Não há como negar que existe um argumento curioso e que, caso fosse bem trabalhado, poderia render um grande filme em Meu Malvado Favorito. Um vilão que se apaixona pela ingenuidade de suas filhas e transforma-se em mocinho: como não comprar a ideia? Em um mundo em que nos acostumamos a observar o contrário, o conceito é no mínimo agradável e instigante. É uma pena, portanto, que a única coisa que se pode perceber na trama de Meu Malvado Favorito 2 é uma imaturidade atrapalhada que joga todo o seu potencial ladeira abaixo e se restringe a gracinhas deslocadas.

Escrito por Ken Daurio e Cinco Paul, a história acompanha Gru, que tenta viver em paz com suas três filhas e sacrifica os seus planos maléficos para tentar iniciar um negócio de geleias e gelatinas. Convocado pela liga antivilões para investigar um novo supervilão, Gru passa a se relacionar com a agente Lucy, ao mesmo tempo em que reencontra alguém que supostamente era para estar morto.

Previsível em cada passo que toma, iniciando com uma gag visual ultrapassada de alguém no banheiro, nem mesmo a direção de arte de Eric Guillon procura sair do terreno óbvio que a trama embarca – a casa de Gru é um claro exemplo. O roteiro, nesta linha, é ainda pior ao criar situações incabíveis e diálogos absolutamente repugnantes que tentam extrair graça de obesidade, flatulências e da imaturidade de crianças frente a relacionamentos. Assim, basicamente construído por frases dos anos 50, Daurio e Paul ainda acham hilário brincadeiras com nomes de personagens – o que não os distancia nada de Hubert, Marcelo Madureira e sua trupe.

Além disso, guiando-se claramente no apelo dos minions, Conffin e Renaud não escondem o “dinheiro fácil” que veem nos personagens e chegam a colocá-los em dois números musicais no terceiro ato. Igualmente, ambos tentam eclipsar a falta de uma história – já que tudo é descoberto em menos de dois minutos e a razão de El Macho nunca fica clara (a não ser que você considere “conquistar o mundo” o bastante) – investindo em alguns exercícios de estilo bobinhos para manter o público entretido. E se em um instante tentam passar uma aura misteriosa inexistente para a obra, o que dizer sobre a cena em que um dos pequeninos é sequestrado enquanto está limpando a casa; noutro, eles tentam dar uma dinâmica através de closes constantes e até do uso subjetivo da câmera.

Dirigindo-se para onde toda a animação desprovida de sentimentos ou grandes ideias se encaminha, um relacionamento amoroso para seu protagonista, Meu Malvado Favorito 2 é mais uma animação que se empolga muito mais com seus coadjuvantes do que com o seu argumento. Algo que, apesar de consciente, destrói ainda mais as chances de ver o potencial dramático de Gru.

                                      

2 comentários:

Márcio Sallem disse...

Concordo em partes, embora não seja do time que despreze inteiramente a animação (que pra mim, tem até bons momentos).

Luis xD disse...

Concordo plenamente acho que o desproveito e a falta de conteúdo interativo nesse filme foi grande embora gostaria de ressaltar um ponto que foi um dos poucos que gostei que foi a exclusividade da trilha sonora com o Pharrell Williams eu adorei ! deixou a trilha muito unica.Enfim bela critica mas ainda sim sou fã da animação e acho que duas estrelas ficaria mais aceitável :)