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“Quando
a câmera está em você, o seu rosto se torna o palco. Ele é sua
arte. E tudo faz parte: o olhar, sua boca. É seu dever tornar os
filmes genuínos.”
Listen
To Me Marlon, Inglaterra, 2015. Direção: Steven Riley. Roteiro:
Steven Riley e Peter Ettedgui. Com: Marlon Brando. Documentário.
Duração: 103 minutos.
Como um
poema sonoro, Listen to Me Marlon contempla mais do que o
mito; o ser humano. Não é o que percebemos de Marlon Brando, sua
influência ou as perspectivas diferentes sobre suas ações, ainda
que tudo esteja lá; é a visão do artista sobre si, e suas
confidências.
Marlon
não liga pra o que os outros pensam dele. Mas para o que ele
sente dentro de si. Assim, o
documentário serve como um tradutor das maneiras, anseios e neuras
do ator, que se relaciona consigo mesmo com uma honestidade
acolhedora: ao falar sobre sua compulsão por comida, por exemplo,
Marlon Brando revela sentir que ela é sua única amiga, quando chega
em casa; igualmente, alguns detalhes de sua vida sexual surgem à tona,
algo que se torna quase triste quando o ator assume que o seu pênis
passou a ter agenda própria e que pouco é racional sobre esse
estilo de vida.
Listen To Me não parece um pedido de socorro, é
apenas um retrato. Que fala sobre problemas paternais, o mundo de
negócios, onde a arte é pouco apaixonante, e a popularização do
método é uma decorrência da busca pelo tom mais tangível. “Todos
atuamos, alguns são pagos para isso”, pensa Marlon Brando sobre
seu papel na indústria.
Afinal, o quanto
podemos entrar no mundo dos bastidores, com Brando se entregando, expondo-se, em um
último retrato? Em cada sequência, o documentarista Steven Riley se esforça para não ser evasivo em nenhum dado: tornando a figura do ator trágica e icônica, ao mesmo tempo.
Se a
comparação entre a atuação e uma luta de boxe que o ator faz
durante o segundo ato é homérica, o documentário é um acréscimo
mais humano ao que seria o maior pugilista de todos, que
continuamente nos nocauteou: com seus gestos, atitude, olhares e,
claro, sua voz.
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