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Mr. Holmes, Inglaterra/EUA, 2015. Direção: Bill Condon. Roteiro: Jeffrey Hatcher, baseado no romance de Mitch Cullin e nos personagens de Arthur Conan Doyle. Elenco: Ian McKellen, Laura Linney, Milo Parker. Duração: 104 minutos.
Na plenitude de sua decadência, Sr.
Holmes é um título ilustrativo para um homem que há muito deixou
de ser chamado pelo primeiro nome. Sherlock é apenas o que aquele
senhor já foi, uma sombra do passado, que aos poucos se esvai de uma
debilitada mente. Na obra de Bill Condon, a senilidade versus a mocidade
importa muito mais do que os plots mal realizados.
Para familiarizar o espectador com a
drástica mudança, Ian McKellen empresta suas nuances para se tornar
memorável na pele de um vencido Sherlock Holmes. Com uma rabugice
ainda mais acentuada que a do personagem de Conan Doyle, o britânico
expõe a condição que se encontra com uma naturalidade ímpar,
reforçando o sofrimento na obra – algo que o instável roteiro não
faria sozinho.
Desta forma, a própria maneira de
tatear os lugares por onde passa e a constante análise de suas
mangas demonstram que, ao mesmo tempo em que Sherlock tenta não
perder a postura elegante que sempre esbanjou, ele está
constantemente pronto para encontrar algo ou, melhor, apoiar-se em
algo. Literal e figurativamente. Com inteligência, mantendo-se neste
ponto, McKellen denuncia na própria forma como segura sua bengala:
da imponência para a fragilidade.
É com a debilidade de seu
protagonista, que o efeito de uma frase tão simples (“não se pode
resolver tudo”) ganha uma conotação tão triste. O mesmo com os
presságios que a trama adiciona aqui e ali para dar um sabor mais
doce para uma obra amarga. Se o relacionamento com Roger parece
resgatar uma mocidade que havia sido perdida com Watson, ao encará-lo
deitado picado por vespas, Holmes desaba junto a ele – no acúmulo
das dores que não se atrevia a sentir.
Fechando os olhos pontualmente, numa
combinação perfeita de desdém e tristeza, por ninguém o entender,
Ian McKellen confere uma dramaturgia fascinante a um homem que sempre
foi descrito como tal. Provando que, ainda que seja um caso de
vespas, o mistério, a solidão e a essência de Sherlock Holmes
permanecem imutáveis.