3 de novembro de 2010

Scott Pilgrim vs The World (2010)

É interessante o fato que Scott Pilgrim não será aceito por parte do público, porém é perfeitamente compreensível. O filme em nenhum momento se adapta a filosofia de montagem de filmes norte-americanos, se arrisca em fazer algo inteiramente novo e brinca com a cultura pop de uma forma devastadora. Muitos irão julgar Scott Pilgrim como um filme detestável, outros vão julgá-lo como apenas divertido, mas Scott Pilgrim é muito mais do que isso. Scott Pilgrim vs The World é o que de melhor o cinema nos apresentou esse ano.

Escrito por Michael Bacall e Edgar Wright, baseado nos personagens criados por Bryan Lee O’Malley, o filme mostra a história de Scott Pilgrim (Michael Cera), baixista de 22 anos da banda de garagem Sex Bob-omb ,que acaba de conhecer a garota dos seus sonhos… literalmente. O único obstáculo para ganhar Ramona Flowers (Mary Elizabeth Winstead) são seus sete ex-namorados malignos.

O primeiro acerto do projeto é colocar o excelente diretor Edgar Wright (do brilhante Todo mundo quase morto) na direção do projeto. Cada plano utilizado pelo diretor é um acerto. Desde pequenos enquadramentos em seus personagens até na brilhante montagem de cena. Veja, por exemplo, logo no começo do projeto quando a câmera começa a se afastar da banda, remetendo a um show de rock. Orquestrado por Wright e pela montagem soberba.

Aliás, o equilíbrio constante entre montagem e direção é de tirar lágrimas do espectador. Começando pela cena do desafio entre bandas em que o diretor foca em Scott Pilgrim tendo consciência da conversa entre Ramona e Knives. O diretor usa uma profundidade de campo assombrosa em cena. Logo depois, a montagem ainda com a ajuda da direção nos proporciona uma cena devastadora de luta. Num clima quase que de Tekken (brincando com a cultura pop) o diretor consegue enquadrar a multidão esperando a luta que virá a seguir e ainda dá o espaço para a montagem colocar o famoso “versus”. Genial.

A montagem de Jonathan Amos e Paul Machliss (geralmente montadores de episódios de séries de TV) acerta brilhantemente em demonstrar a cultura pop e suas ramificações durante todo o longa. E junto com o diretor, merecem palmas pela coragem de fazer o projeto como foi feito.

Olhe por exemplo, sempre os pequenos quadros citando o personagem quando é apresentado e sua natureza. Além de ser brilhante, remete muito à linguagem de quadrinhos, que inspirou o projeto. Outro aspecto muito bem montado é uma das cenas em que os montadores usam a trilha de Seinfield e as gargalhadas de fundo. Fazendo uma excelente brincadeira com os “sitcoms”.

Transformando Scott Pilgrim em uma pessoa encantadora, mas humana e sujeita a erros – o que provoca mais admiração por parte do publico – Michael Cera, mais uma vez, faz uma excelente construção de personagem. Cria a principio alguém que apenas vive o momento sem preocupações, mas que ao mesmo tempo não consegue ficar sozinho no mundo. Veja, por exemplo, sua química com Knives que se mostra de forma excepcional na cena dos dois em um “jogo de dança” e a analogia dos dois se complementando, é perfeita. Mais brilhante ainda é quando Scott conhece Ramona, fazendo seus sentimentos por Knives desaparecer instantaneamente, o que é mostrado em outra seqüência do “jogo de dança”.

A atriz Ellen Wong, aliás, sempre cumpre bem seu papel em cena. Desde suas cenas quase que como “tiete” da banda até sua admiração e obsessão por Scott Pilgrim.

Mary Elizabeth Winstead também tem um bom desempenho e nos apaixonamos por sua personagem assim como Scott. O seu desenvolvimento é perfeitamente conduzido pela atriz e torcemos por um final feliz entre os dois. Ao passo que Kieran Culkin está impecável como Wallace, arrancando risadas a cada cena em que aparece.

Por fim, Scott Pilgrim se torna algo grandioso justamente por trazer um equilíbrio constante entre montagem, direção e atuações, conseguindo passar para o espectador tudo aquilo que se propõe: brincar com a cultura pop como nunca antes e divertir pelo surrealismo da trama.

Aliás, essa é uma palavra chave no projeto: diversão. Porque quando até os envolvidos parecem estar se divertindo com o que estão fazendo, o espectador será um grande favorecido. Palmas para eles.

(5 estrelas em 5)

3 comentários:

Raphael Café disse...

Odiei esse filme caro amigo Andrey. Uma linguagem maluca, de video game, num filme que poderia ser bem melhor se fosse feito pelos meios tradições de filmagem. :(

Llipão Farias disse...

Gostei muito do filme. Apesar da sua linguagem maluca como falou nosso amigo ai do outro post, gostei muito. Na verdade o que é diferente eu gosto entao esse filme foi perfeito pra mim.

culturamos disse...

Respeito a opinião dos dois, mas afirmo com certeza que Edgar Wright rompeu as barreiras do comum e das regras basicas de cinema, e criou algo unico no cinema. Um filme feito sem medo, tentando levar ao extremo a adaptação dos quadrinhos, uma vez que Edgar Wright é um dos roteiristas, conseguiu ser fiel a historia e agradar aos fãs.
Sim, Scott Pilgrim é um filme feito para um nicho, não é um Avatar que é destinado a todos, Scott Pilgrim é feito para os fãs de quadrinhos e jogos 8 bits, que queriam ver uma historia adaptada que girasse em torno desse mundo, da maneira como eles vêem essa realidade, e ele foi muito competente nisso! Eu acredito que esse filme é um marco no cinema pós moderno, e eu gostei tanto do filme quanto das HQ´s. um grande abraço e gostaria de convidá-los a visitar meu blog

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lá tem um pouco de cinema, poesia e arte em geral!