![]() |
![]() |
The Conjuring 2,
EUA, 2016. Direção: James Wan. Roteiro: Carey Hayes, Chad Hayes, Jams Wan e
David Leslie Johnson. Elenco: Vera Farmiga, Patrick Wilson, Madison Wolfe,
Frances O'Connor, Lauren Esposito, Benjomin Haigh, Patrick McAuley, Simon
McBurney, Franka Potente. Duração: 2h14min.
Após ouvirmos os gritos
de Johnny na cozinha, as famílias Warren e Hodgson correm em direção ao recinto pra defender o pequeno,
mas não o acham à primeira vista. Afinal, durante o ataque da pequena Janet,
ele havia se escondido no armário - o qual, no ato inicial, foi o primeiro
lugar que Johnny se dirigiu para buscar biscoitos, encontrando-o completamente
vazio. Esse é um dos padrões comportamentais que James Wan procura repetir em
seus filmes: um lugar visto previamente será retomado dramaticamente, mais
tarde.
Outra cena: enquanto o
malaio investe nossas atenções e tensão no quarto de Janet, onde a menina briga
durante o sono com o poltergeist que
quer machucar Billy, o menino caminha pela casa para pegar um copo de água.
Antes de subir as escadas, numa repetição constante na filmografia de Wan,
observamos rapidamente o espírito sentado na poltrona, sem que seja o principal
foco da cena. É quando o diretor adianta: algo está para acontecer. E enquanto
a tensão exala no quarto de Janet, é com Billy tropeçando num pequeno caminhão
de bombeiros que o primeiro impacto vem e continua até chegar a aparição na
barraca.
São esses padrões
presentes na filmografia de James Wan e, consequentemente, em Invocação do Mal
2, que tornam o processo narrativo ainda mais interessante. Presente em outros
filmes, o cineasta utiliza as repetições sempre ao seu favor: por exemplo, o
plano sequência que costuma apresentar o espaço da casa que será o centro de
nossa atenção revela detalhes significativos sobre as
aparições: no primeiro filme, Cindy nos leva até os fundos da casa, o local dos
enforcamentos; no segundo, acompanhamos Margaret até Janet, de costas para o
público e em sua cama, onde será o primeiro contato com o sobrenatural.
Como um amante de
revoluções de gênero, igualmente, a manipulação da audiência que o diretor
realiza é preciosa. Já na primeira cena, Wan brinca com a inúmeras casas na rua
e traz o espectador com a câmera, para trás, com o objetivo de nos introduzir em
apenas um caso, ainda que deixe claro as possibilidades que tem para
trabalhar. Em sequência, seu/nosso foco concentra no olhar de Lorraine: que,
novamente, é nossa protagonista. (Importante abrir um parênteses: embora seja
Ed que carregue a cruz do casal e seja o showman, é sua esposa que é a
sustentação de seus casos – assim, a palidez do mundo astral, algo que Wan já
destaca com uma ligeira inclinação do quadro, como se ela estivesse fora do seu
habitat normal, não serve apenas como um artifício narrativo, como também para
evidenciar que cada personagem carrega seus próprios terrores.) Do mesmo modo, o cineasta brinca com alguns dos
clichês mais expressivos do terror: o reflexo no terror, a câmera subjetiva e a
nossa maneira de agir em situações de risco: de tal modo, é impossível não
sorrir quando, após a polícia ser chamada para lidar com o caso, os agentes
saiam correndo da casa e afirmando estarem fora de sua alçada.
E isso se torna muito
mais prático e orgânico que apenas cenas tensas, como a gravação de Bill na
sala ou o efeito dramático decorrente de uma pintura. Porque James Wan não é
somente um mestre da manipulação, mas também sensível ao lidar com o
sobrenatural. É por isso que comove o coro de I Can't Help Falling In Love,
puxado por um cativante Patrick Wilson. Não seria uma surpresa, portanto, que o
cineasta considerasse Invocação do Mal 2 seu
primeiro romance.
Rodapé: Não apenas o design de produção
de Julie Berghoff é eficiente, como também ressalta algumas peculiaridades:
analise que não há poste de luz na frente da casa, uma das poucas na rua, como
também é a única com uma árvore morta na fachada.